terça-feira, 3 de junho de 2008

O pós-liberação das pesquisas com células-tronco

Após mais de dois meses de suspensão, o STF aprovou o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas no Brasil. Em seguida a isso, a CNBB - Confederação Nacional dos Bispos do Brasil - manifestou-se sobre o assunto em nota. Nela, os bispos afirmam que "não se trata de uma questão religiosa". O que é curioso nisso é que a própria CNBB, contrária à legalização das pesquisas com células-tronco, para justificar a sua posição, sentiu-se no dever de dizer que não se trata de uma "questão religiosa". Qual o motivo que levou a Confederação a agir dessa forma? Há algo interessante por trás disso. Se a CNBB se valesse de justifica religiosa, ela seria desconsiderada, uma vez que o Estado brasileiro é laico. Ao dizer que não se trata de uma "questão religiosa", a Confederação nada mais quis do que fazer triunfar o seu pensamento religioso.

Segundo André Petry, colunista da Veja, em artigo intitulado "O triunfo da vida", "é preciso esclarecer que a posição da CNBB é uma 'questão religiosa', como talvez não pudesse deixar de ser, sendo a CNBB o que é. É religiosa porque defende a vida como obra divina e, tendo origem sagrada, deve ficar intocada pela mão humana (...)".

A partir de tudo isso, importa destacar que argumentos religiosos não devem influenciar em decisões tão importantes quanto essa da liberação de pesquisas com células-tronco. Logo, mais que acertada e justa a decisão do STF. O certo é que todos nós, religiosos ou não, estamos na busca da vida. Assim, as pesquisas com células-tronco colaboram com tal busca.

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