
Durante todos esses dias em que a Feira do Livro aconteceu em Santa Maria, não há dúvidas que o mais inusitado deles foi o penúltimo, ou seja, 17/05, aniversário da cidade. Era dia de passe livre. Quem estava escolhendo os seus livros ou apenas passeando pela Feira, deparou-se com o contraditório: alguns buscando cultura e informação, enquanto outros sequer sabiam o que estavam fazendo ali. Era o retrato das desigualdades sociais que existem na nossa cidade e que ficam esquecidas em datas comemorativas e em grandes eventos.
Para Altemar Peters, 25 anos, estudante de administração, "a cada dia de passe livre, a cidade parece se transformar. Grande parte do comércio fecha as portas. Isso comprova que a idéia da prefeitura não é vista com bons olhos por muitos". Ele ainda afirma que atividades educativas deveriam ser oferecidas para o público que vem ao centro nesses dias. "Atividades no teatro ou oficinas de leitura e escrita, por exemplo, são boas alternativas", afirma o estudante.
Nas palavras de Lya Luft em Pensar é Transgredir, uma das minha aquisições na Feira do Livro, "Sempre me impressionou essa capacidade do mal. Esticar as minhocas e rebentá-las em duas para enfiar no meu anzol de alfinete quando eu tinha seis anos e pescava com o meu pai (...). Hoje não pesco com anzol de alfinete, mas a violência é muito mais dramática ao meu redor (...) A cada dia estamos mais frios (...)". Pensemos sobre isso. Não basta liberar a entrada em ônibus. Algo mais precisa ser feito.
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