A nossa modernidade traz uma série de conflitos, especialmente no amor, em razão da sua "liquidez". Nas palavras de Zygmunt Bauman, "a modernidade líquida em que vivemos traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos - um amor líquido. A insegurança inspirada por essa condição estimula desejos conflitantes de estreitar esses laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos." Atualmente há uma verdadeira mudança de paradigmas. Enquanto que, no passado, as pessoas buscavam encontrar a "metade da laranja" ou "a tampa da panela", hoje dois inteiros tentam viver harmoniosamente. A partir disso emerge o questionamento: estreitar os laços ou mantê-los frouxos?Nas palavras da psicóloga Greice Zanini, 26 anos, para uma união dar certo hoje é preciso que cada um reconheça o espaço do outro e respeite esse espaço. Foi-se o tempo do "abrir mão", do "ceder". É o amor líquido de Bauman.
Importa destacar que essa "liquidez" do amor não significa, nas palavras do sociólogo, promiscuidade ou algo do tipo. É apenas o reconhecimento da existência do outro.
Thiago Campos, 18 anos, ao ser questionado sobre o significado de amor líquido, afirma: "amor sem respeito às diferenças e ao espaço do outro não sobrevive. Esse é o amor líquido".
Ainda de acordo com Bauman, "a era da modernidade líquida em que vivemos - um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível - é fatal para nossa capacidade de amar, seja esse amor diferenciado ao próximo, a nosso parceiro ou a nós mesmos".
Vive-se o amor líquido em tempos de modernidade líquida. No entanto, é inquestionável que o amor próprio, acima de tudo, deve ser sólido.
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